Você está no meio de uma mensagem de elogio. Digita adimiro, o celular sublinha de vermelho. Corrige para admiro e o alerta some. Mas a pulga fica atrás da orelha: será que você escreveu errado a vida toda, já que tanta gente usa a forma com i?
A resposta é direta: admiro é a única forma correta. Adimiro não existe em nenhum dicionário nem no Vocabulário Ortográfico. E a dúvida não é boba — ela nasce de um hábito de fala que quase todo mundo tem.
Eu mesmo já passei por isso digitando um elogio no WhatsApp. O corretor me salvou algumas vezes, e foi aí que resolvi entender a regra.
Este texto explica de onde vem aquele i extra, mostra a conjugação completa e entrega um teste mental para você nunca mais travar.
- A forma correta é admiro, primeira pessoa do presente do indicativo do verbo admirar.
- Adimiro não existe: não consta no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa nem em dicionários de referência.
- A grafia errada surge por inserção indevida de vogal entre o d e o m, influenciada pela fala e por verbos como admitir e adquirir.
- O radical do verbo é admir-; a desinência de primeira pessoa é -o, formando admiro.
- Para conferir, use o VOLP online, o Michaelis ou o Priberam.
- Por que admiro é a única forma aceita, mesmo com tanta gente digitando adimiro?
- De onde vem aquele i extra e como parar de digitá-lo no automático?
- Qual macete mental resolve essa dúvida em menos de três segundos?
- O que os verbos admitir e adquirir têm a ver com essa confusão?
Uma letra que muda tudo no meio da mensagem
A dúvida entre adimiro e admiro quase sempre aparece quando você está elogiando alguém. É um elogio sincero, que não pode sair com cara de erro. A pressão é real: um deslize ortográfico num comentário público ou num e-mail de trabalho pode minar sua credibilidade.
Mas a raiz do problema não está apenas na digitação. Está na forma como a palavra é pronunciada. Muita gente fala adimiro sem perceber, inserindo uma vogal extra para aliviar o encontro consonantal. Na escrita, esse som vira letra. Por isso a forma errada se espalha.
O que parece igual na pronúncia é completamente diferente na escrita — e a gramática guarda a fronteira.
Adimiro ou admiro: qual é o correto?
Antes de mais nada, apresento o Método do Radical Ancorado de Gustavo Pereira: para qualquer verbo regular de primeira conjugação, tire a terminação -ar do infinitivo. O que sobra é o radical. Na primeira pessoa, acrescente -o. Simples assim.
| Aspecto | Adimiro | Admiro |
|---|---|---|
| Existe na norma culta? | Não | Sim |
| Registrado no VOLP? | Não consta | Consta como flexão de admirar |
| Origem | Inserção indevida de vogal | Radical admir- + desinência -o |
| Conjugação | Não pertence a nenhum padrão de conjugação | Primeira pessoa do presente do indicativo |
| Uso aceito | Nunca, nem informalmente | Sempre, em todos os registros |
| Exemplo | Eu adimiro (incorreto) | Eu admiro (correto) |
Resposta curta: admiro, e por quê
A forma correta é admiro, sem i depois do d. O verbo admirar é regular da primeira conjugação, com origem no latim admirari. Seu radical é admir-. Na primeira pessoa do presente do indicativo, esse radical recebe a terminação -o, resultando admiro. Nada de i extra.
Da mesma família vêm admirado, admirável, admiração e admirador. Todos com o mesmo radical sem o i intruso.
Adimiro existe no VOLP ou em dicionários?
Adimiro não consta no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, mantido pela Academia Brasileira de Letras, nem no Michaelis, no Houaiss ou no Priberam. Não é variação regional, gíria ou forma antiga. É apenas uma grafia que não foi reconhecida.
Se você consultar o VOLP online, verá apenas a forma admiro como flexão de admirar. A versão impressa da obra tem preço sob consulta, mas a consulta digital é gratuita.
Posso usar adimiro na linguagem informal?
Não. Mesmo em conversas de WhatsApp ou comentários em redes sociais, adimiro é marcado como erro pelo corretor ortográfico. Nenhum dicionário abona essa forma, então ela não é uma questão de formalidade, mas de correção. Escrever adimiro em qualquer contexto pode passar a impressão de desatenção.
A boa notícia é que a troca é simples: sempre que o teclado sugerir admiro, aceite. Ou aplique o método do radical.
A conjugação do verbo admirar no presente do indicativo
Para entender a forma admiro, o caminho mais curto é olhar a conjugação completa. O verbo admirar segue o modelo de amar e falar: radical + desinências regulares.
Tabela completa: eu admiro, tu admiras, ele admira…
| Pessoa | Forma verbal |
|---|---|
| Eu | admiro |
| Tu | admiras |
| Ele/Ela/Você | admira |
| Nós | admiramos |
| Vós | admirais |
| Eles/Elas/Vocês | admiram |
Note que em nenhuma das seis formas aparece a vogal i depois do d. A sequência dm é mantida em todas as pessoas. Isso reforça que o radical é admir-, e não adimir-.
Por que adimiro cria uma sílaba que não existe
Quando você escreve adimiro, está acrescentando uma sílaba. A palavra correta tem três sílabas: a-dmi-ro. A errada tem quatro: a-di-mi-ro. Essa vogal de apoio quebra o encontro consonantal dm, que é incomum na fala brasileira. A língua tende a inserir uma vogal para facilitar a pronúncia, mas a escrita não registra essa inserção.
O mesmo fenômeno acontece com outras palavras, como advogado (falado às vezes como adivogado) e ritmo (falado como rítimo). Na escrita, a vogal epentética não aparece. Com admiro, a regra vale igual.
Admirava, admirei e admire: diferenças de tempo
Além do presente, o verbo admirar tem outros tempos que costumam gerar dúvida. No pretérito imperfeito, a primeira pessoa vira admirava; no pretérito perfeito, admirei; no presente do subjuntivo, admire. Todos mantêm o radical admir- sem o i extra.
Se você já escreveu adimirado ou adimirei, aplica-se o mesmo princípio: o radical não muda. É admir- do começo ao fim.
De onde vem a confusão com adimiro?
Parecido com admitir e adquirir: a origem da vogal extra
Uma das razões para o erro é a semelhança com verbos como admitir e adquirir. Esses verbos pertencem à terceira conjugação, terminada em -ir, e possuem a vogal temática i no radical. Na primeira pessoa, ficam admito e adquiro, com o i presente. Para quem fala rápido, a estrutura desses verbos vaza para admirar.
Mas a etimologia é clara: admirar vem do latim admirari, sem vogal entre o d e o m. A primeira conjugação tem tema em a, não em i. Por isso a analogia não procede.
Vício de fala: quando a pronúncia corrida engana a escrita
No Brasil, o encontro consonantal dm é raro. Para desfazê-lo, a fala espontânea insere uma vogal de apoio, geralmente o i. É o mesmo processo que muda pneu em peneu ou psicologia em pisicologia na boca de muitos falantes. Essa vogal fantasma, chamada de epêntese, fica na pronúncia, mas não deve ir para a escrita.
Por isso a grafia adimiro parece certa: o ouvido já a registrou antes. Mas a norma culta se baseia na forma histórica e na etimologia, não na fala relaxada.
Adimiro é regionalismo, gíria ou erro antigo?
Não é nenhum dos três. O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa não registra adimiro em nenhuma região do país. Não se trata de uma variação legítima, como as muitas diferenças entre português brasileiro e europeu. É um erro de grafia comum, mas erro.
Ou seja: não é frescura de gramático. É uma regra que vale para todos os registros, do bilhete ao relatório.
Veredito: prós e contras de cada forma
Pontos contra adimiro
- Não existe em nenhum dicionário ou vocabulário oficial.
- Sinalizada como erro pelo corretor ortográfico.
- Pode minar a credibilidade em textos profissionais.
- Não tem base etimológica nem gramatical.
Pontos a favor de admiro
- Grafia correta em qualquer contexto.
- Reconhecida por todas as fontes de referência.
- Mantém o radical do verbo, consistente com a conjugação.
- Não gera dúvida em quem domina a regra.
Quando comecei a apurar essa dúvida, a resposta parecia óbvia: admiro, ponto. Mas a explicação do erro me fez lembrar de quantas vezes eu mesmo digitei adimiro no celular, sem perceber. O teclado corrigia, eu aceitava e seguia em frente sem perguntar por quê. Esse é o hábito perigoso: terceirizamos a gramática para o corretor e não entendemos a lógica.
O que descobri é que a vogal de apoio não vem de ignorância, mas de um processo fonético natural. A fala brasileira detesta certos encontros consonantais e os desfaz com uma vogal de apoio. Reconhecer isso me deixou mais paciente com quem erra e mais rigoroso comigo mesmo. Agora, antes de enviar qualquer texto, aplico o método do radical: tiro o -ar, olho o que sobra e confiro se não estou inventando vogal.
A partir daqui, o que importa é mudar essa regra em reflexo automático, não importa a pressa.
Como fazer a grafia certa virar hábito
Aqui não tem teoria. Antes de qualquer técnica, vale evitar dois erros comuns: confiar no som da fala (que insere um i fantasma) e achar que a forma com i extra é aceita informalmente. Pronuncie devagar, sílaba por sílaba: ad-mi-ro. A segunda sílaba começa com a consoante m, não com a vogal i. Revise em voz alta, pausadamente. Se ainda assim bater insegurança, o corretor é um aliado, não um juiz.
São três caminhos para nunca mais travar entre adimiro e admiro, e você escolhe o que combina com o seu ritmo.
Guia de Decisão · Comparativo
- 01Para quem quer economia de esforço: use o método do radical. Tire o -ar de admirar, sobra admir-, some -o e escreva admiro sem pensar duas vezes.
- 02Para quem quer certeza absoluta: consulte o VOLP ou um dicionário de referência sempre que a dúvida surgir. Leva segundos e elimina qualquer risco.
- 03O equilíbrio: use a regra do radical no dia a dia e recorra ao dicionário apenas em palavras raras ou em contextos formais. Assim você ganha velocidade sem perder precisão.
Na minha rotina de edição, essa dúvida aparece com frequência em textos alheios. Ver a regra por trás do erro me ajuda a explicar com paciência e a corrigir com segurança.
Você fez bem em parar para conferir. Essa é uma daquelas dúvidas que todo mundo já teve, mas pouca gente admite. Agora você tem a resposta e o método.
Na próxima mensagem de elogio, aplique o radical: tire o -ar de admirar, sobra admir-, some -o e pronto: admiro. Se bater insegurança, o VOLP resolve em dois cliques.
O resto é prática. Escrever certo não é esnobismo; é respeito pelo leitor.
O que pouca gente sabe: A vogal extra em adimiro não é mero capricho de digitação. É um eco da fala brasileira, que naturalmente insere um i para desfazer o encontro consonantal dm — o mesmo fenômeno que muda advogado em adivogado na fala. Por isso o erro persiste mesmo entre quem estudou.

